terça-feira, 28 de julho de 2009

Por MIM!


E se eu me encontrar por aí,

Nos tempos que a memória apagou?

Quantos espaços serão mudados, reciclados?

Quantos corações serão partidos?

Queria poder dizer que não me importo....

Que sou egoísta e que só penso em mim

Mas não posso...

Ainda assim, é o MEU tempo,

E eu não posso mudar os ventos do destino.

Sou um coração que acolhe, mas antes de tudo...

SOU EU!

E o coração é meu.

Já fui, entrei no barco e não vou sair...

Daqui para lá, só tempo,

Tempo para escrever a verdade,

Bruta, sem mais "ses",

Sou eu comigo,

E preciso ser assim,


Para ser feliz...

domingo, 26 de julho de 2009




Parida no momento em que o tempo nos cruzou,

uma amizade,

que em irmãs nos tornou

...


És, assim, inevitavelmente, um sol na minha noite, amiga



segunda-feira, 13 de julho de 2009

.....

Era longe
E a distância não me cabia
Quanto mais eu andava
Mais longe me via
Cega do passado
E do que queria
Tentando não sonhar
Com o que não acontecia
Quanto mais atiçava a chama
Mais a noite caia
E eu sem luz nem mapa
A cada passo mais me perdia
Olhava em volta de mim
E nada acontecia
Gritava com mais força
E me ouvia mais emudecida

Não fui mais porque acordei
Olhei em volta e não me espantei
Tudo igual sem ser o que sou
Porque só estou bem, onde não estou...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Roscas

Assomou na esquina.
Instintivamente a minha alegria chamou por ele.
E ele veio, sedento de se afagar nas minhas mãos moles de saudade.
Chamei-o pelo nome que a rua que o adoptou lhe designou.
Perguntei-lhe naquele tom de voz tão parvo, que só a nossa tentativa de inocência canina pode alcançar, se queria comer.
Rapidamente ligou a ventoinha peluda e começou a dançar ao meu redor.
Foi aí que o olhei de frente.
E senti-me...transparente!
Nunca nenhum olhar humano me viu, como aqueles olhos caninos o fizeram.
Espelhou em mim a inocência sincera do que ele é e eu nunca poderei ser.
Ficou ali, á espera somente do que eu lhe tinha para dar, aguardando o tempo que eu decidi que tinha para ele.
Não me pediu mais, voltou-me a barriga para um último carinho e lambeu-me as mãos, num ritual fácil.
Foi rua abaixo e voltou a esquina, não sem antes procurar o meu olhar num "até logo silencioso".
Até chegar à cama tosca que alguém carinhosamente preparou para ele, foi cumprimentando um sem número de corações conquistados pela sua simpatia agradecida.
Às vezes vejo-o farejando esses cantos afora e pergunto-me se procura a família que não o foi, quando decidiu que ele já não fazia parte dela.
Jogado na rua não faz, de certeza julgamento e, acredito, que seria vê-lo a abanar a sua ventoinha peluda se encontrasse quem não o procura mais.
Este é o meu novo amigo!
Não há chuva, cansaço ou noite mal dormida que o impeçam de me dar um bom dia, uma boa tarde, um até amanha.
Não há tempo que falte, que o faça não ter tempo para mim, e para todas as mãos que lhe dão o que podem dar, não há falta de tempo, que o seja para os seus amigos...
Dou por mim hoje a pensar, estarei assim tão louca, ou apenas tomando consciência da minha condição defeituosamente Humana, quando hoje digo "caramba, as coisas que eu aprendo com um cão!"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Fotografias Da Alma

Quando eu penso nessas amizades, sem formas nem vaidades, que só conhecem as verdades, do que somos sem entraves; eu transcendo em alegria, por esta, para muitos, utopia, ser para mim uma mais valia, que fortalece o que sentia, quando em pequena dizia, que de nada serve a fotografia, a posição ou a hierarquia, mas sim a pessoa embutida, na real forma do que sentia.
Os rostos que conhecemos, resumem-se a um quadrado fotografado, escolhido por um qualquer significado, para ser apresentado, a quem pouco importa o penteado, o peso, a altura, ou o explicitado.
O que queremos é o camuflado, o que está por baixo do declarado, aquilo que se revela pelo teclado, de cada vez que por um qualquer chamado, necessitamos que seja partilhado, o nosso eu mais purificado, o nosso ser mascarado, por essa forma do quadrado fotografado.
Então de cada vez que eu leio deliciada, de qualquer um desses amigos da estrada, esta cujo alcatrão é palavra, eu volto orientada, para o meu caminho nesta jornada, em que no fim, vale mesmo é a caminhada, e a voz soletrada, que não pode ser fotografada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Verdadeiro Casamento


Quando ela entrou, eu vi no olhar deles, tudo aquilo que os poetas tentam escrever ao longo dos tempos e dos espaços e não conseguem


Ali, naquele momento, de respiração suspensa e coração galopado, a definição mais perfeita de Amor


Aqueles passos, dela até ele, construindo em suspenso no mundo em que só eles existiam, um poema como nunca ninguém escreveu


Eu digo, é por isto que vale a pena viver

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Talvez tenha sido a vontade de ser mais do que aquilo que escrevo
Encontrar a verdade do que penso e sinto
Encarar o mundo sem esta bengala que apoia a tristeza que vivi
Descobrir o que me tornei, encontrar o que ficou em mim
Talvez tenha sido o egoísmo de pensar só em mim
De não contar a ninguém o que sinto, como estou
Fechar o casulo sem me deixar derramar sobre o papel
Talvez tenha sido a necessidade de encubar os pensamentos, os sentimentos
Deixá-los ser antes de os fixar no écran, poder lê-los antes de saírem de mim
Talvez tenha sido a necessidade de me olhar de frente e ver o bom e o mau
Talvez tenha sido a a vontade da desculpa do cansaço
Talvez tenha sido a necessidade de voltar a sentir saudades do ritual
De encontrar aqui os meus poetas, sarar as minhas feridas com as suas palavras
Iluminar-me com as palavras dos que amam e retribuem o que dou de mim
Talvez tenha sido a vontade de não saber o que escrever quando venho aqui
Sentir aquela sede de deixar escorrer as palavras por mim
Talvez tenha sido a necessidade de deixar o tempo passar
Permitir ao comboio engatar nos carrilhos e levar-me ao destino
Talvez tenha sido apenas o não me apetecer

Não sei o que foi
Mas sei que precisei que fosse assim
Só eu, com o tempo que teimei em não deixar passar por mim

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Alentejo da Minha Alma


Era cedo

Suave a lânguida preguiça que se roçava no meu corpo

De olhos semi-cerrados percorria as linhas da aguarela que se desenhava diante de mim

A voz do poeta perscrutava a minha memória e eu cantava com ele

Alentejo da minha alma

Adiante, a planície com sede de Primavera estendia-se para lá do meu olhar

No horizonte um azul tão cálido como quente, abraçava-a num fim que não acontecia

Como se não houvesse limite para toda a beleza que aflorava naquela manhã amena

Como um ciclo que se repete, nunca igual, a Natureza impunha-se perante tudo o que é artificial

E eu fiquei, só, sem me sentir sozinha, agradecendo-lhe baixinho por me deixar fazer parte dela

Alentejo da minha alma

Dissolvi-me no momento como quem encontra o seu lugar

Estendi-me na certeza de fazer parte do que agora encontrei

E fiquei, eu e o meu Alentejo, neste namoro natural

Repito este encontro de cada vez que a noite teima em não acabar em mim

Vou vê-lo amanhecer para que a manhã amanheça também em mim

Alentejo da minha alma

Dou-me à brisa como ao colo de uma mãe

Corro sem me mexer pelos vales intermináveis da beleza que esta terra pare a cada dia

E sinto em mim todas as certezas que não encontro nos prédios e nos carros da metrópole

Sou um espírito livre que segue nas costas do gado que se arrasta pela erva que o alimenta

Sou as asas das garças que mutualizam comigo esta comunhão

Aqui sou, tudo o que posso ser

E quando me despeço, nunca lhe digo adeus

Este quadro mora em mim para além daquilo que posso ver

É aqui que me irei plantar, na esperança que quando ninguém me puder regar

A chuva cessará a minha sede de querer sempre e sempre te contemplar

Alentejo da minha alma

Meu lugar

sábado, 28 de março de 2009

Se queres...Podes!


Procura nos versos acumulados em mim

Na falta da tinta que não os derramou sobre o papel

Nos buracos que se abriram pelas ausências que não regressaram

Nos sorrisos que se abriram em cada sol que despertou em mim

Nos músculos fatigados pelo gosto de me cansar assim novamente

Nas críticas por não aprender a gerir o meu tempo

Agora que sei que há amanhãs que não se repetem

Deixo lá as palavras que ficaram por dizer, porque a vontade não superou o cansaço

Deixo lá a falta de dizer o que não disse, porque o sono superou a voz

Deixei de me preocupar com o que ficou por contar

Deixei de me angustiar com o tempo que não tenho, ou não sei ter

Não há aprendizagens perfeitas

E viver o momento, não significa poder ser tudo o que temos para ser num dia

Não sei viver pensando que posso não ter amanhã

Adoro esta sabedoria, saber estar só com o silêncio

Saber estar sem fazer nada e aproveitar tudo o que esse nada tem

Adoro ficar atordoada sem saber para onde me virar

Adoro resmungar por não ter tempo para tudo

Adoro isto tudo que me tem abraçado nesta última semana

Voltar a ser eu com a vida que eu tinha

Sentir o prazer imenso de fazer o que gosto

Saber que este buraco que tenho em mim me vai acompanhar sempre

Mas aprender a remetê-lo para um canto em que não é a expressão de mim

Eu acordei, de um sono em que incubei a Filipa que conhecia

E comigo acordou uma outra que se fez

É de novo o meu tempo, voltei a mim

Sou um sorriso que grita, amigos.... VOLTEI A SER FELIZ!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Hoje o meu sorriso é do tamanho do mundo!!!!


A vida é assim mesmo...curiosa, muito curiosa...
Hoje o meu sorriso é do tamanho do mundo!
E eu hoje digo que EU MEREÇO!!
E é assim que hoje sinto, na certeza do meu sorriso e dos que sorriem comigo.
Se soubesse pintar, pintava.
Mas não sei!
E por isso escrevo, apenas

HOJE O MEU SORRISO É DO TAMANHO DO MUNDO!

:)