domingo, 3 de agosto de 2008
Queria...
Recuava-o como se faz na hora de Inverno
E o tempo da minha vida acontecia outra vez
Magia
Eu e vocês, juntos, mais uma vez
Tirava-lhe então a pilha e parava-o no tempo
Num abraço que o relógio não podia adiantar
Ficava protegida de todo o mal do mundo
Da dor, do sofrer
No vosso colo, apenas o momento podia acontecer
Ninguém nos separava
E eu não chorava
A saudade não me alcançava
E ausência não me arrebatava
Nem me matava
De tanto querer....e não poder!
domingo, 27 de julho de 2008
Finalmente...O Abraço!!
Hoje tive um sonho maravilhoso, daqueles tão pessoais e tão intensos que, mesmo que quisesse, não o conseguiria partilhar.
Qualquer mãe e qualquer filha, sabem a ligação que as une, aquela ligação tão natural e tão pura como o próprio respirar e bater do coração. Tão bonita, que qualquer palavra no dicionário, qualquer termo inventado, é medíocre para adjectivar tal sentimento.
Mas há coisas que quero dizer, para me lembrar quando me sinto pior e para que quem me lê, possa encontrar também o consolo que hoje sinto.
Sinto-me leve e agradavelmente comovida. Transbordo hoje amor e recordação.
Nos últimos tempos tenho pensado mais nela do que nele. Porque me custou mais consciencializar da partida dela, e porque com o meu pai, a relação que tínhamos aqui era já de tal forma física e emocionalmente aberta, que nada, nada, ficou por resolver. Mas com a minha mãe, o abraço e a declaração de verbal de sentimentos era mais difícil. Maior dificuldade em pedir desculpas e em manifestarmos fisicamente o amor uma pela outra. Ou, talvez, ainda, porque não tive oportunidade de a abraçar uma última vez...a verdade...é que havia aqui um vazio no meu coração, que finalmente pude preencher.
Hoje...muito mais que um sonho, o sono deu-me uma prenda de Deus....deixou-os visitar-me durante a noite. Ele sorriu o tempo todo e observou, deixando-nos fazer o que faltava. Abracei-a com tanta força, num abraço que a forma física não permite. Não quero falar disso, porque é meu e só meu, e também não precisa de escrita para ficar gravado, já está colado na minha memória, com uma intensidade impossível de quebrar.
Mas quero dizer a todos os que acreditam, que eles estão bem e felizes. E quero dizer aos não crentes, que tenham fé. Não é preciso acreditar num Deus católico, ir à igreja, para esta fé que vos falo. Mas imaginem a força que dá, saber que eles permanecem neste mundo, saber que os posso ver e que sei que os irei voltar a encontrar, num sítio onde a dor não existe, e tudo é amor.
Hoje estou leve e feliz. Abracei a minha mãe e o meu pai e isso, é felicidade que não se mata.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Teresa
Mas sabes que é difícil escrever sobre o que sempre se conheceu, embora agora eu desfrute da minha parte e da parte dela. É muita amizade e ela transborda, atropelando-me as palavras e os pensamentos.
A minha mãe sempre me disse: "Não há amiga como a Teresa Gato".
Nunca duvidei...mas agora sei-o, tão profundamente interiorizado, como qualquer outra raiz de amor fixa no meu coração.
Não se explica, transborda de verdade como naquele abraço à Joana, que só nos sabemos ler, grita na voz, nos olhares, nos gestos...no consolo do meu coração de cada vez que me ligas e pareces adivinhar o que me vai na alma... ...e isso não sei escrever....
Sabes...por vezes quando ouço o tlm e vejo o teu nome...tantas vezes na precisa altura em que me apetece ligar-lhe e se me crava a chaga do saber que não posso...penso...foi ela...
...e sei que ficou aqui, em parte, na mãe que vejo em ti
terça-feira, 8 de julho de 2008
Amor

Várias vezes, durante largos minutos daquela tarde, esqueci-me da ausência. Diverti-me, sorri, gargalhei, como à quatro meses e meio não o fazia. A melancolia que entre-cortou esses sorrisos, foi terna e bela. Estavam lá, sei-o porque o senti...nas memórias de um tempo que o relógio da vida não pode apagar. Nos abraços, beijos, olhares de uma cumplicidade que a vida nos deu e sabemos todos não ser possível perder...jamais.
O teu olhar, minha Tucha, naquele momento em que passámos para ti uma prenda de amor, símbolo de uma felicidade cúmplice, casada muito além de um registo de conservatória, e que desejamos para vocês dois...mágico, inesquecível, um agradecimento mudo que só o coração sabe falar e ler. O meu ser está cheio por esta entrega que sinto ter sido um desejo partilhado por quem o deu e por quem o usou antes de ser teu. Será sempre, no teu decote, muito mais que o brilho do metal...tu sabes.
Quando desceste aquelas escadas...o mundo parou. Fiquei tão feliz. As lágrimas correrem-me...mas de felicidade. Não pensei que faltava alguém...eles estavam lá e pude sentir-lhes as mãos unidas nas minhas, as bocas que te beijaram comigo, os olhares ternos e orgulhosos de quem vê as juras de felicidade de uma menina que era como sua filha.
O abraço da minha Cebolinha, da minha Ana e do meu Beto...tanto dissemos naquele aperto, muito mais do que o que se pode ver ou tocar, mas que todos sabemos estar lá.
Foi uma tarde e uma noite maravilhosas...tudo foi lindo.
E minha querida, irmã, o teu gesto...o teu "boquê"...é mais que alguma vez qualquer "longe" ou "tarde" pode da minha memória apagar.
OBRIGADA!!
domingo, 29 de junho de 2008
Saudade
sábado, 21 de junho de 2008
Sonhos
3 sonhos diferentes no cenário, semelhantes na essência.
De repente ela estava viva. Tudo tinha acontecido igual...o acidente, a morte...mas, um ressuscitar aconteceu.
Não era uma segunda oportunidade, porque alguém me dizia no sonho "sabes que isto é temporário, é só por uns dois meses, depois começam os problemas renais, hepáticos...e ela vai outra vez.
No entanto, ao mesmo tempo, parecia haver a possibilidade dela sobreviver. Era uma incógnita se morria novamente ou sobrevivia como se nada tivesse acontecido.
O mais estranho, é que eu estava incrédula. Imensamente feliz, mas incrédula. Porque olhava para ela e ela movia-se de um lado para o outro, sem parar (também, quantas vezes terei eu visto a minha mãe sentada??!!). Fazia bolos, comida, cirandava. Sorria. Toda ela! Alheia a tudo o que se passava. Acho que ela sabia que ia morrer, no sonho, mas comportava-se como se isso não tivesse a menor importância para o dia que decorria. Nesse sonho, o meu pai estava vivo...
Depois foi a vez dele. Tudo igual. O acidente, a morte da minha mãe e depois a dele. Mas aqui, a morte vs vida não era uma incógnita. Ele ia passar uma prova. Se vencesse, ficava cá. E lá estava ele, vestido qual cavaleiro, pronto para a luta. Não sei se venceu o combate....mas sei que não o vi tão feliz como a minha mãe.... Nesse sonho, a minha mãe não estava viva.
Depois foi com os dois. Não me recordo neste sonho. Sei apenas que novamente tudo tinha acontecido, mas eles tinham voltado...havendo a possibilidade de partirem novamente...
Já pensei e repensei estes sonhos, na verdade que eles contêm, no que significam.
Acho que os dois meses do sonho com a minha mãe, foram os dois dias...sempre acreditei que ela não morresse...o amor não responde a percentagens médicas. E não podia imaginá-la de outra forma que não fosse a viver o dia a dia, sem pensar no amanha.
Com o meu pai...a luta que ele travou...o meu medo do resultado...a minha incapacidade de o imaginar feliz sem a minha mãe.
Os dois vivos juntos....simplesmente O sonho...
A verdade, é que se dessem a oportunidade de os ter junto de mim outra vez, ainda que soubesse que era por pouco tempo e que teria de passar por tudo outra vez, eu aceitava. Nada de mau do que me aconteceu supera a vida imensamente feliz que eles me deram a seu lado.
Por outro lado, penso muitas vezes em como seria o meu hoje, se o meu pai tivesse ficado. Por mais casais que eu veja ficarem sem o seu amado(a), por mais que eu conhecesse a força do meu pai...não consigo conceber a sua existência sem a minha mãe. Por vezes imagino-o sozinho naquela casa, o seu dia a dia sem em ela e não concebo essa possibilidade. Amo o meu monhezinho com todos os poros do meu ser, e a única coisa que se pode sobrepor a minha vontade de o ter junto de mim, é a sua felicidade. A minha pela dele. Não sei como iria aguentar vê-lo na sua profunda tristeza. Acho que o que sinto, não se compara ao que ele iria sentir...e ao que eu sentiria por o ver assim.
Depois...cheguei a outra conclusão. O facto de terem partido os dois, não me deixa sentir a plenitude da dor por cada um. Se imagino o meu pai vivo, sinto a dor da perca da minha mãe numa intensidade superior...porque me concentro nela.
Toda a minha vida pensei que iria ficar primeiro sem pai...e agora, em nenhum sonho imagino a minha mãe viva e o meu pai ausente....porque sei que o que mudou a minha vida foi aquele dia 20...foi aí que morreu a vida que eu conhecia, acontecesse o que acontecesse depois.
Antes perturbavam-me estes sonhos...porque acordava e via o vazio da ausência com o amargo na boca de não poder abraçar os pensamentos.
Agora desejo sonhar...sei criar a minha realidade paralela, em que dou forma ao sentimento e materializo recordações. Encho o meu balão de memória e subo alto. Fugindo ao peso da saudade, tenho um lugar só meu, onde vejo, sinto e toco. E quando a vigília me chama e eu desço de novo ao físico, sei intimamente que a a realidade não é só razão, o sonho tem lugar, e será sempre uma mentirosa verdade, que de tempos a tempos, eu e vocês, estamos à distância de um olhar.
sábado, 7 de junho de 2008
O Peso da Mudança
Não questiono a vida, a nossa ignorância do acontecer é demasiado grande para que eu a julgue.
...No meu coração, lado a lado com a saudade, um sonho...o de voltar a ser imensamente feliz.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Sensação Consciente
Ontem, no escuro da noite, na leveza dos lençóis, um arrepio doloroso varreu-me o corpo dilacerando-me. Num suspiro, um sumiço da alma. O corpo começou a tremer, a cabeça a latejar como se farpas a ferissem, o terror a subir à boca, na ânsia de sair.
Foi o primeiro momento de sensação consciente, da verdade percebida e interiorizada...vocês já não estão cá, e não voltarão a estar.
Ainda que por um breve instante, a verdade aconteceu. E doeu. Física e emocionalmente doeu, doeu muito.
O medo arrebatou-me...porque esta sensação não quero sentir e não consigo controlar. A plena noção que se ela acontecesse sempre, não me conseguiria sequer levantar.
Medo do que não quero ser, medo de cair, medo de querer desistir. Medo do que ainda vem, medo do que já não volta.
Lembrei-me de vocês na forma mais simples possível, sentados, calados, alvos do meu olhar...simplesmente um olhar...o que eu não dava só para poder olhar para vocês. Foi de tal forma arrasador que tive de afastar o pensamento de mim...era insuportável.
Tenho saudades, tantas, tantas, que não a posso falar.
Ás vezes apetece-me gritar...outras o silêncio anula toda e qualquer manifestação do meu ser.
Na verdade, tudo isto ainda custa a acreditar...ou talvez eu prefira continuar a sonhar, vivendo nesta realidade paralela, em que intimamente a minha verdade é presença, a ausência da forma é viajante e eu espero, sempre, que um dia acordo e o que sonho é verdade.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
A vida acontece
Além dos sentimentos dolorosos óbvios, descobri, por exemplo, a solidariedade emocional, na vertente oposta - a dirigida a mim. É um sentimento bom, mto bom, como tantos os que tenho sentido neste momento, em que se pode pensar que tudo é mau.
Hoje, mais um sentimento a acrescentar à bagagem do meu sentir....
NASCEU O MEU SOBRINHO, 3º filho do irmão do Miguel.
Mais um sentimento que não sei dizer ou escrever.
Apetece-me chorar. Tenho uma comoção enorme que transborda de mim. Choro de felicidade, de tristeza e de saudade.
Porque me lembrei deles e senti a sua falta. Porque eles acompanharam a gravidez e não o vêem nascer. Porque penso nos netos que eles queriam, mas que não vão poder abraçar. Porque estou feliz por esta que é também a minha família. Porque é mais um ser que já amo. Porque me apetece perguntar-lhe se vem do mesmo sítio para onde eles foram...
A vida continua, fiel ao tempo, indiferente aos acontecimentos naturais de si própria, regenera-se, transforma-se. Uns terminam, outros começam.
Só sei por agora que esta criança já me é especial de uma forma nunca sentida.
A vida acontece...
Mais uma luz no meu caminho, iluminando-me o sentido que a vida tem. Continuar sempre.
És, inevitavelmente, para mim, um marco de continuação, de esperança. Num momento em que todos sentimos a força da perca, vens provar que nada se compara à força do amor, à força do começar.
Eu cá estarei para te mostrar como a vida é bela, para agarrar na tua mãozinha pequenina e te mostrar o quanto o pequeno pode ser enorme.
domingo, 18 de maio de 2008
Avozinhos
Hoje foi um dia maravilhoso.
Porque vos adoro. Porque me senti amada. Porque me fazem sentir família. Porque deixaram a família que construo fazer parte de vocês.Porque pude preencher um pouco a ausência, a falta que eles vos fazem. Porque pude fingir por um bocadinho que nada mudou.
Porque senti que por mais que a vida nos dê nuvens, há sempre um sol a espreitar, que por cima dos espinhos, há uma rosa.
Não consigo explicar este tipo de sentimentos. Nasci gostando de vocês e a sentir-me amada.
Adoro a minha Mariana. Fez tudo para me agradar. Não é de agora, sempre foi assim. Mas hoje senti a sua preocupação, a sua tentativa de preencher da forma que podia, o meu vazio.
E o meu Dias, aquecendo-me de memórias tão boas, estendendo-me a mão para me ajudar a subir mais um degrau.
Declarando-se a cada olhar, fazendo do momento, mais um agradável acontecimento para somar a tantos outros que trago na bagagem do acontecer.
Adoro ouvir-vos falar deles. Adoro sentir o amor que lhes tinham e têm. Orgulho-me deles. Orgulho-me de vocês e agradeço-vos por fazerem parte de mim.
Não é o espaço nem o tempo que fazem o momento, são as pessoas. Tempos imensamente felizes, memórias de um pedaço de vida que a mudança do espaço e o correr do tempo não podem apagar.
Hoje estão mais leves...suguei-vos cada pedacinho de essência que o meu coração pode albergar.
Hoje os lençóis são ninho, porque me deito com a alma consolada e um coração reconfortado de um amor cheio de tudo!
