segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Até onde podemos adiar a vida?
São dias sem sol nem lua, sem bonito ou feio, sem frio ou calor...sem alegria ou dor.
São e pronto.
Acordam e adormecem sem somar minutos.
O corpo inerte caminha sem andar, olha sem ver, acontece sem viver, vive sem aproveitar.
E depois, o hoje já é amanhã e há tantas coisas que ficam adiadas para um futuro sonhado ontem.
Até onde podemos adiar a vida?
Estou assim, presa num passado do qual não me quero libertar.
Qual menina mimada, apetece-me bater o pé e fazer birra.
Não me apetece encarar a vida como ela está.
Mas não o sei fazer....
Acordo e tenho vontade de viver.
Sonho com um futuro limpo, optimista, sem me arrepender.
Raízes profundas, sentimentos fortes, valores solidamente incutidos.
Não sei sair de mim.
Sou a força dela com o coração dele.
Não me sei zangar, não sei culpar, não posso conter em mim revolta.
Sou a vontade de andar sem olhar para trás.
Mas não sei sair de mim.
Tenho medo de avançar e medo de ficar parada.
Sou rio que tem medo da foz.
Não quero ser lago, nem tempestade de mar.
Até onde podemos adiar a vida?
Estou meio perdida
Tenho medo da vida,
Mas muito mais temo,
Que com o meu bilhete de ida
Fique a ver passar a vida
...sem a viver!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Corpo ao Manifesto
domingo, 21 de setembro de 2008
Parabéns Avó
sábado, 13 de setembro de 2008
Quero
O tempo passa mas não acontece
A porta não se abre e vocês não voltam
O telefone não toca de manhã, nem de tarde, nem à noite
Mantenho a morada dos mails
Os números de telefone
Nem sei bem porquê
Na esperança irracional de haver resposta
A saudade...posso vê-la de tão forte que a sinto
Incompreensivelmente...ainda não acredito
Fazem-me tanta falta
Quero voltar a ser criança
Sonhar com a perfeição que não existe
Acreditar que a vida é eterna
E que o que conheço será sempre assim
Quero um abraço, um beijo
Quero discutir, chorar com vocês
Saber que adormeço e acordo com o que adormeci
Quero ter medo de vos perder
Quero a vida que sempre conheci
Quero que o meu querer fosse possível
Quero não ser possível tamanho querer
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Pai

Não me lembro da primeira vez que te vi, gravo no meu coração a paixão que por ti sempre senti.
Não acredito em amor mais ou menos. Acredito que há almas que se pertencem, encontram-se e desencontram-se sem nunca se separarem. Como tu e eu...
Toda a vida me completaste. Foste a presença na minha solidão, o refúgio da minha confusão. Foste a razão do meu sentimento e a paixão do meu pensamento.
Sempre te amei loucamente. Amava profundamente o teu Ego incomparável. Nas minhas veias o sangue corria acelerado pelo ritmo cardíaco desenfreadamente aumentado, os olhos brilhavam e as mãos tremiam, a excitação de não conter o orgulho que me transbordava pelos poros, de cada vez que dizia a alguém "este é o meu Pai!"
Não sei escrever a dor da tua ausência...para mim serás sempre presença.
Mas há momentos em que sinto dificuldade em pensar. Momentos em que a emoção faz KO à razão.
A dor da tua ausência física é dilacerante, irracional
Por vezes apetece-me gritar descontrolada, correr sem rumo, desalvorada, por um qualquer caminho. Espreitar, ansiosa, a cada esquina na esperança de lá te encontrar, correr para ti e abraçar-te até me doerem os braços e me sufocarem as forças. Aí dizes-me "está tudo bem, foi só uma brincadeira"
Mas o momento não acontece...
Desorientada pela cegueira da tua ausência, caio atordoada num qualquer canto do vazio e choro.
É então que fecho as portas e as janelas a este espaço físico em que me deixaste. Viro-me para dentro de mim e dou-te a mão. Oiço as tuas piadas de criança que o tempo nunca adormeceu, vejo as trapalhadas, sinto o teu chamar carinhoso, revivo o afagar de ternura enquanto quando me deitavas, sinto o cheiro do teu amor.
Continuas a ser a presença forte e verdadeira. Sinto-te como a qualquer outro estimulo táctico.
O manto da fatalidade não encobriu a tua vida.
Não há tempo nem espaço que apaguem aquilo que vivemos...memórias de um tempo que jamais poderei esquecer...porque fui imensamente feliz...tão vivas e intensas que as posso sentir...
Sabes pai, vejo-te sempre melhor de olhos abertos. Não gosto de fechar os olhos para pensar em ti.
Ás vezes posso jurar que estás aqui...mesmo ao lado. Reprimo o impulso de olhar por cima do ombro...inutilmente...acabo sempre por olhar. Um relance discreto pelo canto do olho e, ainda que por um instante, acredito ver-te lá.
Gosto de me lembrar da última vez que te vi...Foi o momento da mais bela declaração de amor que já fiz. Foi o momento em que percebi que a alma não é o corpo onde mora.
Se pudesse agarrar o tempo, por um instante que fosse, repetia aquele momento até que a voz me faltasse, a vista me atraiçoasse, a alma me evaporasse...
Debaixo de qualquer ligadura ou lençol, no embrenhado de tubos à tua volta...apenas te vi a ti paizinho...nu de corpo emprestado...duas almas sem forma física que se olham num complemento sem adjectivo ou explicação. Ouço a tua respiração calma...desaparece lentamente o som da maquinaria medicinal que diziam fazer tudo por ti...nunca, jamais, qualquer artefacto me amou por ti.
Naquele momento olhámo-nos e sorriste-me. Sei que o tempo parou...somente nós...duas almas que se pertencem, imunes a qualquer acontecimento espacial.
Por não acreditar no que sabia acordada, falaste-me à noite, naquele espaço que não é só ilusão...naquele sonho, numa fracção de pensamento, o teu coração falou-me. Não podia dar-te outra resposta. O meu coração gritava de impulso a emergência da minha necessidade de perpetuar um pedaço de realidade, que, sabia-o bem, estava terminada. Mas nunca me ensinaste a ser egoísta...tinhas de ir, pra ela, continuar a tua vida, longe do meu olhar, reforçada no meu coração.
Aquele minuto agonizante...senti-o como se parte de mim mesma fosse contigo...cheguei a pensar que não ia aguentar...quando peguei no telefone sabia...mas deixei-te ir com a calma que eu e tu nunca soubemos ter...deixei cair a lágrima doce do meu agradecimento por me teres deixado despedir de ti...por me teres preparado...por teres escolhido o caminho do amor.
Portámo-nos bem, tu e eu, não achas?
Todos os dias me esforço por merecer cada vez mais o nome que me deste...por aplicar os princípios que me ensinaste, por partilhar com os outros o amor que em mim semeaste...
Quando me sinto a perder a força, olho...e lá está tu. Gritas-me do alto do cume a esperança que me alcança em certeza...a certeza que o dia em que te ausentaste da minha vista, não foi a última vez que te vi.
AMO-TE MONHEZINHO....JAMAIS TE DEIXAREI MORRER!
domingo, 3 de agosto de 2008
Queria...
Recuava-o como se faz na hora de Inverno
E o tempo da minha vida acontecia outra vez
Magia
Eu e vocês, juntos, mais uma vez
Tirava-lhe então a pilha e parava-o no tempo
Num abraço que o relógio não podia adiantar
Ficava protegida de todo o mal do mundo
Da dor, do sofrer
No vosso colo, apenas o momento podia acontecer
Ninguém nos separava
E eu não chorava
A saudade não me alcançava
E ausência não me arrebatava
Nem me matava
De tanto querer....e não poder!
domingo, 27 de julho de 2008
Finalmente...O Abraço!!
Hoje tive um sonho maravilhoso, daqueles tão pessoais e tão intensos que, mesmo que quisesse, não o conseguiria partilhar.
Qualquer mãe e qualquer filha, sabem a ligação que as une, aquela ligação tão natural e tão pura como o próprio respirar e bater do coração. Tão bonita, que qualquer palavra no dicionário, qualquer termo inventado, é medíocre para adjectivar tal sentimento.
Mas há coisas que quero dizer, para me lembrar quando me sinto pior e para que quem me lê, possa encontrar também o consolo que hoje sinto.
Sinto-me leve e agradavelmente comovida. Transbordo hoje amor e recordação.
Nos últimos tempos tenho pensado mais nela do que nele. Porque me custou mais consciencializar da partida dela, e porque com o meu pai, a relação que tínhamos aqui era já de tal forma física e emocionalmente aberta, que nada, nada, ficou por resolver. Mas com a minha mãe, o abraço e a declaração de verbal de sentimentos era mais difícil. Maior dificuldade em pedir desculpas e em manifestarmos fisicamente o amor uma pela outra. Ou, talvez, ainda, porque não tive oportunidade de a abraçar uma última vez...a verdade...é que havia aqui um vazio no meu coração, que finalmente pude preencher.
Hoje...muito mais que um sonho, o sono deu-me uma prenda de Deus....deixou-os visitar-me durante a noite. Ele sorriu o tempo todo e observou, deixando-nos fazer o que faltava. Abracei-a com tanta força, num abraço que a forma física não permite. Não quero falar disso, porque é meu e só meu, e também não precisa de escrita para ficar gravado, já está colado na minha memória, com uma intensidade impossível de quebrar.
Mas quero dizer a todos os que acreditam, que eles estão bem e felizes. E quero dizer aos não crentes, que tenham fé. Não é preciso acreditar num Deus católico, ir à igreja, para esta fé que vos falo. Mas imaginem a força que dá, saber que eles permanecem neste mundo, saber que os posso ver e que sei que os irei voltar a encontrar, num sítio onde a dor não existe, e tudo é amor.
Hoje estou leve e feliz. Abracei a minha mãe e o meu pai e isso, é felicidade que não se mata.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Teresa
Mas sabes que é difícil escrever sobre o que sempre se conheceu, embora agora eu desfrute da minha parte e da parte dela. É muita amizade e ela transborda, atropelando-me as palavras e os pensamentos.
A minha mãe sempre me disse: "Não há amiga como a Teresa Gato".
Nunca duvidei...mas agora sei-o, tão profundamente interiorizado, como qualquer outra raiz de amor fixa no meu coração.
Não se explica, transborda de verdade como naquele abraço à Joana, que só nos sabemos ler, grita na voz, nos olhares, nos gestos...no consolo do meu coração de cada vez que me ligas e pareces adivinhar o que me vai na alma... ...e isso não sei escrever....
Sabes...por vezes quando ouço o tlm e vejo o teu nome...tantas vezes na precisa altura em que me apetece ligar-lhe e se me crava a chaga do saber que não posso...penso...foi ela...
...e sei que ficou aqui, em parte, na mãe que vejo em ti
terça-feira, 8 de julho de 2008
Amor

Várias vezes, durante largos minutos daquela tarde, esqueci-me da ausência. Diverti-me, sorri, gargalhei, como à quatro meses e meio não o fazia. A melancolia que entre-cortou esses sorrisos, foi terna e bela. Estavam lá, sei-o porque o senti...nas memórias de um tempo que o relógio da vida não pode apagar. Nos abraços, beijos, olhares de uma cumplicidade que a vida nos deu e sabemos todos não ser possível perder...jamais.
O teu olhar, minha Tucha, naquele momento em que passámos para ti uma prenda de amor, símbolo de uma felicidade cúmplice, casada muito além de um registo de conservatória, e que desejamos para vocês dois...mágico, inesquecível, um agradecimento mudo que só o coração sabe falar e ler. O meu ser está cheio por esta entrega que sinto ter sido um desejo partilhado por quem o deu e por quem o usou antes de ser teu. Será sempre, no teu decote, muito mais que o brilho do metal...tu sabes.
Quando desceste aquelas escadas...o mundo parou. Fiquei tão feliz. As lágrimas correrem-me...mas de felicidade. Não pensei que faltava alguém...eles estavam lá e pude sentir-lhes as mãos unidas nas minhas, as bocas que te beijaram comigo, os olhares ternos e orgulhosos de quem vê as juras de felicidade de uma menina que era como sua filha.
O abraço da minha Cebolinha, da minha Ana e do meu Beto...tanto dissemos naquele aperto, muito mais do que o que se pode ver ou tocar, mas que todos sabemos estar lá.
Foi uma tarde e uma noite maravilhosas...tudo foi lindo.
E minha querida, irmã, o teu gesto...o teu "boquê"...é mais que alguma vez qualquer "longe" ou "tarde" pode da minha memória apagar.
OBRIGADA!!

