
Os dias passam, um após o outro
O meu coração soma emoções
Às vezes rebenta de dor, mas outras, tudo é amor
Pequenina, vou-me reconstruindo
Sou o que fui e o que não sei ainda ser
Sou o passado que me enche, e o futuro que sonho
Dia a dia, o acordar é uma surpresa
Cresço a cada dia
E sei que o meu espaço vai ficando pequeno para mim
Vou adiando o meu momento
Serei eu que não quero ainda nascer?
Ou não é ainda o tempo de eu acontecer?
Preciso mas não quero me libertar ainda
Adio paciente o meu parto
Busco e construo o que perdi em mim
Não sou ainda o que quero ser
E não quero ser assim
Olho para ver, sou para acontecer
E neste ventre em que me defendo
Não posso ainda abrir a comporta da dor
Preciso me fazer para poder ser
Quero dar passos firmes na vida
Marcar, perpetuar, tudo o que habita em mim
No mundo que a vida semeou no meu quintal
Deixar as sementes que me farão crescer depois de mim
Inspirar os frutos do meu ser
Como a minha árvore me inspirou a mim
Saber que vou sorrir sem tremer
Expulsar a culpa de poder viver
Sem ser mais que a ferida que tomou conta de mim
Quero ser tudo e o nada que já não sei ser
Quero saber, que quando renascer
Me posso apresentar ao dia dizendo:
"Bom dia vida, esta sou eu, pronta a viver!"